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ENDOSUTURA GÁSTRICA – PERGUNTAS E RESPOSTAS

ENTREVISTA COM O DR. THIAGO F DE SOUZA

1.O QUE É ENDOSUTURA?

A endosutura é um procedimento endoscópico que tem diversas aplicações na área de endoscopia digestiva. Atualmente a sua maior aplicação tem sido para reduzir o tamanho do estômago em pacientes que desejam e precisam perder peso. Outras utilizações incluem o fechamento de áreas após ressecção de tumores, fixação de próteses, redução da anastomose em pacientes que já fizeram cirurgia bariátrica.

2.A ENDOSUTURA GÁSTRICA PARA A OBESIDADE É UTILIZADA EM OUTROS PAÍSES?

Sim, a endosutura gástrica ou gastroplastia endoscópica vertical é utilizada em mais de 50 países, incluindo Estados Unidos da América e a maior parte da Europa e Ásia. Os primeiros estudos foram realizados por um grupo de médicos que inclui um brasileiro há cerca de 8 anos e atualmente o procedimento ou dispositivo é aprovado pelo FDA (Food Drug and Administration), e no Brasil pela  ANVISA. Trata-se de uma nova alternativa para os pacientes com obesidade grau I e II, podendo também ajudar pacientes com sobrepeso e obesidade mórbida. 

3.QUAL A MÉDIA DE PERDA DE PESO PARA OS PACIENTES QUE FAZEM GASTROPLASTIA ENDOSCÓPICA VERTICAL

Segundo as publicações a perda de peso situa-se entre 18-22% em 01 ano, podendo variar de acordo com as mudanças de hábitos e comportamento dos pacientes. O tratamento da obesidade sempre é multifatorial e, portanto, o paciente deve ser abordado por uma equipe especializada que deve ser composta por: médico endoscopista, cirurgião, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, entre outros.

4.PARA REALIZAR O PROCEDIMENTO É NECESSÁRIO FAZER EXAMES?

Sim. Os exames são importantes para a segurança do procedimento e bons resultados. Uma avaliação pré procedimento cuidadosa inclui os seguintes exames: laboratoriais, raio x tórax, eletrocardiograma, ecocardiograma, ultrassom de abdome e endoscopia digestiva alta. 

5.O PROCEDIMENTO DEVE SER REALIZADO EM HOSPITAIS?

Sim, o procedimento deve ser realizado em hospitais e na maior parte das vezes o paciente tem alta no mesmo dia. Para a realização do procedimento é utilizado anestesia geral com tempo médio de 1 hora. O paciente deve ser avaliado pelo médico anestesista e todos os exames checados para que tenha uma anestesia segura e tranquila.

6.QUAL SERIA OS RESULTADOS A LONGO PRAZO DO PROCEDIMENTO?

O tratamento da OBESIDADE envolve a mudanças dos hábitos e do estilo de vida. É necessário a determinação do paciente para que os resultados sejam duradouros. Com o passar dos anos a eficácia do aspecto restritivo causado pela endosutura diminuiu e pode sim haver reganho de peso, assim como ocorre em todos os tipos de cirurgia bariátrica, inclusive as mais radicais como sleeve e by-pass. Os resultados mostram perda de peso média de 18-22% e isto se sustenta por um período de tempo variável de 3 anos. Contudo isto não quer dizer que se fazer o procedimento irá perder peso e que este irá se manter. Como expliquei antes, as mudanças são determinantes dos resultados e o procedimento auxIlia muito no alcance dos objetivos.

7.QUAL A VIA ACESSO PARA A REALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO? TEM CORTES NA PELE?

Todo o procedimento de endosutura é realizado através da boca e utilizando um aparelho especial de endoscopia. Este aparelho permite a acoplagem de um dispositivo de sutura. O médico endoscopista pode realizar a redução do estômago, sem tirar nenhuma parte dele, apenas “dobrando o estômago sobre ele mesmo”. Desta forma, o risco de complicações é muito menor do que a cirurgia bariátrica convencional.

8.ESTE PROCEDIMENTO PODE SER CONSIDERADO UMA EVOLUÇÃO NO TRATAMENTO DA OBESIDADE? 

Sim. Os procedimentos ditos minimamente invasivos, como por exemplo a ENDOSUTURA, são uma evolução dos procedimentos cirúrgicos convencionais e tendem com a evolução da tecnologia ganhar ainda mais espaço. Atualmente tem crescido o número de cirurgias robóticas em todas as áreas e isto também pode ser considerado como uma evolução grande em relação as cirurgias convencionais laparoscópicas. Em um futuro breve, talvez já no presente, os procedimentos endoscópicos e robóticos estão substituindo os convencionais. Fique atento a isto! 

9.QUEM REALIZA O PROCEDIMENTO?

O profissional médico com formação em ENDOSCOPIA DIGESTIVA é o especialista responsável por realizar o procedimento. O procedimento deve ser realizado em hospitais e na presença obrigatória do médico anestesista. 

10.EXISTE VÁRIAS MARCAS DE DISPOSITIVOS DE SUTURA ENDOSCÓPICA?

Sim, existe várias empresas com tecnologias diferentes mas que tem a mesma finalidade, a ENDOSUTURA. Cada dispositivo apresenta características diferentes e utilizam equipamentos de endoscopia como fator determinante para o acesso ao tubo digestivo. A existência de várias marcas é importante para o desenvolvimento tecnológico e concorrência no mercado em benefício dos pacientes e tratamento das doenças.

11.É RECOMENDADO A ASSOCIAÇÃO DE MEDICAÇÕES PARA EMAGRECER AO MESMO TEMPO DA ENDOSUTURA?

Pode ser recomendado, mas depende das características e quadro clínico de cada paciente. Não há uma obrigação, mas pode sim trazer benefícios. Outra situação interessante é associar medicações após 3-6 meses. Importante considerar que a obesidade é uma doença crônica e sua abordagem complexa, e em muitas situações a associação de tratamentos traz grandes benefícios.

12.A GASTROPLASTIA ENDOSCÓPICA VERTICAL IMPEDE A REALIZAÇÃO DE CIRURGIA BARIÁTRICA CONVENCIONAL?

Não impede a realização posterior de cirurgia bariátrica convencional como sleeve e by-pass. Contudo, deve ser considerado a possibilidade de resutura para os pacientes que responderam ao primeiro procedimento e que necessitam perder mais peso ou estão apresentando reganho. Em geral a resutura é realizada após 2-3 anos do procedimento inicial.

13.QUAL A SUA OPINIÃO REFERENTE A GASTROPLASTIA ENDOSCÓPICA?

A técnica de endosutura gástrica é excelente e pode ser considerada sim como uma revolução no tratamento endoscópico da obesidade. Contudo, deve ser considerado que os resultados são individuais para cada paciente, que depende muito do paciente e do seu esforço em realizar as mudanças na sua vida. Depende muito de tudo que está ao seu redor, da família, dos amigos, do ambiente do trabalho e de um acompanhamento multidisciplinar a longo prazo. A chance de voltar a ganhar peso ou de não perder, existe e sempre vai existir. Há fatores que ainda nós como médicos, equipe multidisciplinar e o paciente não conseguimos mudar, modificar. Se colocarmos no GOOGLE por exemplo, há pessoas falando bem, pessoas falando contra, assim como tudo na medicina e na vida. Tudo tem que ser criteriosamente avaliado por quem busca e por quem informa. Em todas as áreas e na medicina não é diferente, há benefícios, pode haver complicações ou resultados não satisfatórios, mas o que deve sempre ser considerado é o risco benefício que uma técnica já estabelecida mundialmente pode trazer para os nossos pacientes. Assim, considerando o risco benefício, fica claro e sólido que o método é seguro e eficaz.

14.A CIRURGIA BARIÁTRICA AINDA TEM ESPAÇO?

Sim e sempre terá. Mas não a cirurgia do passado e sim a cirurgia moderna, com novos acessórios, grampeadores, robôs, ou seja, mais segura e com riscos menores para os pacientes. Se olharmos para o passado o número de complicações com a cirurgia bariátrica era grande, de difícil tratamento, com grande número de óbitos. Mas o risco benefício deve ser sempre considerado, e na maior parte dos pacientes trazia vantagens, melhor qualidade de vida e maior tempo de vida. As grandes evoluções são nos acessórios utilizados, na qualidade das imagens, no aprimoramento da técnica e no manejo endoscópico das complicações. Na maior parte das vezes complicações da cirurgia bariátrica são tratadas pela endoscopia e assim também quando há reganho de peso.

15.REGANHO DE PESO APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA. VERDADE? É POSSÍVEL?

Verdade, é possível e digo mais, é frequente. Mas isto não quer dizer que a cirurgia é ruim, que não teve sucesso. Ela é efetiva, está indicada para pacientes com obesidade mórbida ou obesidade com doenças associadas e requer uma avaliação cuidadosa, criteriosa para que os resultados a longo prazo sejam interessantes. Mas mesmo em pacientes que tenham passado por tudo isto, tenha mudado a maior parte dos hábitos e comportamento, 30-40% após 5 anos reganham peso. Reganham, pois a obesidade é difícil de tratar, é uma doença na maior parte das vezes crônica e multifatorial. Este paciente deve ser resgatado, reiniciado tudo o que foi abandonado ou parcialmente esquecido, identificando novos fatores que podem ter associação com o reganho, tal como o aparecimento de doenças tiroidianas.

16.EXISTE TRATAMENTO ENDOSCÓPICO PARA O REGANHO?

Sim, existe algumas técnicas que são utilizadas mundialmente e com resultados considerados efetivos como por exemplo a perda de 10-15% do peso total. Uma das técnicas é a ablação da anastomose com argônio (APC), com o objetivo de reduzir o tamanho da saída do estômago e causar um efeito restritivo ao paciente. Contudo está técnica só é realizada em anastomoses com diâmetro maior que 15mm. Pode ser necessário mais de uma sessão, pois cada sessão em geral reduz o tamanho da anastomose em 4-6mm. O tamanho que é considerado ideal para o paciente se alimentar são anastomoses com diâmetro de 10-12mm. Diversos estudos com argônio e perda de peso já foram aprovados e realizados no país com resultados semelhantes ao da literatura mundial, comprovando portanto, que a técnica é segura e eficaz. Outra técnica interessante é a associação de sutura e argônio, em especial para anastomoses maiores que 25mm. Também já existem estudos nacionais mostrando resultados na perda de peso.


Dr. Thiago F. de Souza – CRM 110219 – Especialista em Endoscopia Digestiva – Doutor em Cirurgia pela Faculdade de Medicina da USP – HCFMUSP

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